Metro de Madrid, Línea 4. Proxima parada - Prosperidad

O menino pequeno se acomodava na cadeira feita para gente grande. O tapa da mãe para que não colocasse o pé na cadeira. Repressão para que associe a dor com o que não pode.
O mexicano cantando sobre a alma, o amor e a vida que tem sua música. A capa do violão vazia de moedas, e o semblante de quem começa a desacreditar.
Dois olhos tristes, reluzentes pelo contraste com a pele negra. Bugingangas que ninguém nem se atreve a perguntar o preço. Venda ilegal, por um ser humano ilegal, vindo de um país cujas condições são humanamente ilegais.
Um mundo cheio de gente. Gente perdida. Gente que sonha. Gente que busca oportunidades.
Vontade de brincar de lego. Tirar tudo. Recolocar. Refazer. Reconstruir.
Então volta à mente Rodion Românovitch Raskólnikov. Queria ser Napoleão. Acreditou que os meios justificam os fins. Na sua humanidade, pensou que era especial e que podia mais. Esqueceu que as suas regras não eram as mesmas das dos outros. Acabou no cárcel.
Ora, se existe alguma coisa mais humana que isso?

Um comentário:

Ana Luiza disse...

Raskolnikov é a síntese da dor nao? Seria bom que esse fosse um conceito universal, assim vc fala Raskólnikov e as pessoas associam àquela dor intensa de ser.
Quero te encontrar.

Je t`embrasse mon amour.

Ana